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Bispo alerta para o risco do autoritarismo golpista nas eleições: “Votemos de modo decente”

“Quem tem que governar o Brasil são os brasileiros. A democracia não pode ser ameaçada por autoritarismo golpista. Sem essa de trocar nossa bandeira por uma estrangeira”, escreveu Dom Vicente.

Bispo alerta para o risco do autoritarismo golpista nas eleições: “Votemos de modo decente”

“Votemos de modo decente. Em favor dos pobres e do meio ambiente”. Para ele, diante do cenário político, “omissão ou neutralidade é uma atitude covarde”.

Dom Vicente Ferreira, bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, usou as redes sociais para defender a soberania nacional, a democracia e um voto comprometido com os mais pobres e com o meio ambiente. A manifestação se aproxima do discurso adotado pelo presidente Lula (PT) nesta reta final da eleição, especialmente na defesa do Brasil contra interferências estrangeiras.

“Quem tem que governar o Brasil são os brasileiros. A democracia não pode ser ameaçada por autoritarismo golpista. Sem essa de trocar nossa bandeira por uma estrangeira”, escreveu Dom Vicente.

O religioso também fez um apelo direto aos eleitores. “Votemos de modo decente. Em favor dos pobres e do meio ambiente”. Para ele, diante do cenário político, “omissão ou neutralidade é uma atitude covarde”.

 

No Norte, integrantes da CNBB defenderam a Amazônia, os povos indígenas e a soberania nacional. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, resumiu a posição: “Nós não temos partido, mas temos uma causa: o Evangelho e os pobres”. Em seguida, pediu: “Vote pela democracia”.

A defesa da soberania também ganhou força após Lula levar o tema à Assembleia-Geral da ONU. O presidente criticou interferências externas no processo eleitoral e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

Já em Aparecida do Norte, em São Paulo, um trecho da homilia de Dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida, viralizou nas redes sociais nos últimos dias. Durante a celebração, o religioso fez uma pregação que uniu o período eleitoral, a defesa da soberania nacional e o feriado de 7 de Setembro.

“Nossa Senhora, padroeira do Brasil, nesse ano eleitoral, que elejamos aquelas pessoas segundo o nosso coração, segundo a nossa consciência, segundo o nosso conhecimento”, disse o religioso.

As falas ocorrem em meio a uma mobilização mais ampla de integrantes da Igreja Católica em torno das eleições de 2026. Bispos e dioceses têm divulgado mensagens sobre democracia, soberania, combate à pobreza, preservação ambiental e rejeição ao uso político da religião, sem indicar formalmente candidatos.

Uma das iniciativas que ganhou repercussão foi a cartilha da Diocese de São João da Boa Vista, no interior paulista. Com o tema “Como preservar a democracia?”, o documento apresenta critérios cristãos para a escolha de candidatos e defende amor ao próximo, perdão, proteção aos mais vulneráveis e cuidado com o meio ambiente. A publicação não cita partidos nem nomes específicos, mas os pontos são os seguintes:

  1. “Um Projeto fundamentado no amor – “O amor é o pleno cumprimento da lei” (Rm 13, 10). Não votem em candidatos que: propagam ódio, defedem pena de morte, armas indiscriminadas, discriminam mulheres, negros, indígenas e pobres ou que neguem a crise climática.”
  2. “Um Projeto fundamentado no perdão e na misericórdia –“Todos vocês são irmãos” (Mt 23, 8). Não votem em pessoas que defendam projetos que incentivam a violência como solução, pois isso aumenta a insegurança e atinge principalmente os mais vulneráveis.”
  3. “Um Projeto fundamentado na promoção da VIDA, maior dom que Deus nos deu – “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Votem em pessoas que defendam a vida desde a concepção até a morte natural, rejeitando aborto, redução da maioridade penal, eutanasia e injustiças sociais que causam morte evitavel. Valorize aqueles e aquelas que defendem a moradia como direito inalienável e não como mercadoria.”
  4. “Um Projeto fundamentado no serviço aos mais pobres – “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25, 40). Priorizem candidatos com compromisso genuíno com os mais necessitados, refletindo a opção preferencial pelos pobres, proposta por Jesus no Evangelho.”
  5. “Um projeto que respeite o Meio Ambiente. Apoiem projetos que combatem desmatamento, poluição e perda de biodiversidade, garantindo justiça ambiental e proteção dos biomas, especialmente em favor dos mais vulneráveis.”

O documento afirma que o objetivo é estimular uma política capaz de construir pontes e reduzir divisões. “A nossa esperança e desejo é oferecer critérios para a escolha de homens e mulheres, não que sejam perfeitos, mas que pelo menos busquem exercer a boa política que constrói pontes e aproxima fraternalmente as pessoas numa grande amizade social.”

A iniciativa provocou críticas de apoiadores da família Bolsonaro, que acusaram a Igreja de favorecer Lula e a esquerda. A cartilha, porém, não recomenda voto em candidatura específica e apresenta orientações gerais baseadas na Doutrina Social da Igreja.

Outros bispos também elevaram o tom nos últimos dias. Dom Guilherme Werlang, bispo emérito de Lages, criticou o uso eleitoral da fé. “Atenção à manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus. As igrejas não são currais eleitorais”.