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China amplia vantagem comercial sobre os EUA no Brasil

De acordo com a Amcham, os EUA seguem como segundo maior destino das exportações brasileiras, mas perderam participação na corrente de comércio com o Brasil após o tarifaço imposto de 25% imposto pelo presidente estadunidense, Donald Trump, por causa da...

China amplia vantagem comercial sobre os EUA no Brasil

Conforme a Administração Geral das Alfândegas, o país asiático fica entre os três maiores parceiros comerciais de 157 países.

A China ampliou sua vantagem comercial sobre os Estados Unidos no Brasil e passou a concentrar 31,5% das exportações brasileiras, enquanto a fatia estadunidense caiu de 12,1% para 9,4%, menor nível desde 1997, segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) divulgado pela Sputnik nesta quinta-feira (9). No primeiro semestre de 2026, as vendas brasileiras aos EUA somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13%. Conforme a Administração Geral das Alfândegas, o país asiático fica entre os três maiores parceiros comerciais de 157 países.

Os números da Amcham mostraram que 25% dos produtos enviados ao mercado dos EUA enfrentam sobretaxas de 12,5% a 25%, e outros 20% sofrem efeitos da Seção 232, dispositivo da Lei de Expansão Comercial de 1962 dos EUA que permite ao governo impor restrições a importações quando o Departamento de Comércio vê determinados produtos como ameaças à segurança nacional do país. As restrições podem vir na forma de tarifas, cotas ou outras barreiras comerciais.

De acordo com a Amcham, os EUA seguem como segundo maior destino das exportações brasileiras, mas perderam participação na corrente de comércio com o Brasil após o tarifaço imposto de 25% imposto pelo presidente estadunidense, Donald Trump, por causa da condenação de Jair Bolsonaro (PL) no inquérito da trama golpista – o ex-mandatário foi condenado a 27 anos de prisão. A retração também ocorre em meio ao avanço da China, que voltou a absorver quase um terço das vendas externas do país e reforçou sua posição como principal parceira comercial brasileira.

O movimento mostra uma mudança relevante na geografia das exportações do Brasil. Enquanto os embarques para os EUA encolheram, as vendas para China, União Europeia e outros mercados cresceram. A queda da participação norte-americana contrasta com a expansão de destinos alternativos, o que indica uma resposta gradual de setores exportadores às barreiras tarifárias impostas por Washington.

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), parte expressiva da pauta brasileira enfrenta custos adicionais para entrar nos EUA. As sobretaxas atingem produtos submetidos a tarifas entre 12,5% e 25%, além de itens enquadrados na Seção 232, mecanismo que afeta áreas estratégicas como aço, alumínio e veículos.

Entre os segmentos mais expostos estão mel, sebo bovino, tilápia e madeira de coníferas, produtos com elevada dependência do consumidor estadunidense. O aumento das barreiras levou empresas a buscarem alternativas em outros continentes, numa tentativa de reduzir perdas e preservar receita externa.

O café não torrado aparece entre os casos mais sensíveis. As vendas ao mercado dos EUA caíram 35%, apesar da isenção obtida para o produto in natura. O setor tenta agora incluir o café solúvel na lista de exceções. Exportadores relataram avanço das vendas para a Europa, com a Alemanha superando os EUA como principal comprador.

A Apex afirma que intensificou ações de promoção comercial para reduzir a exposição do Brasil aos EUA. A agência também treinou setores produtivos para atuação técnica em audiências norte-americanas e avalia que a dependência brasileira desse mercado já vinha caindo ao longo das últimas duas décadas.

A Amcham alerta que o comércio bilateral vive forte pressão e pode sofrer novos impactos caso a investigação da Seção 301 resulte em medidas adicionais. A entidade avalia que a retração recente reforça a necessidade de diversificação de mercados para produtos brasileiros diante de um ambiente internacional mais protecionista.

A Administração Geral das Alfândegas informou, em 25 de agosto de 2025, que a China passou a figurar entre os três maiores parceiros comerciais de 157 países e regiões no mundo.

As trocas comerciais com países da ASEAN, da América Latina, da África, da Ásia Central e de outros mercados emergentes cresceram mais de 10% em relação ao ano anterior.

A China também é a sede do BRICS, que reúne 40% da população mundial e é uma das principais frentes de resistência à hegemonia dos EUA na economia global. No Produto Interno Bruto medido por paridade de poder de compra, os países integrantes do grupo respondem por 37% da economia mundial, apontou o Fórum Econômico Mundial.

A aliança representa 26% das trocas globais, segundo a Organização Mundial do Comércio. Conforme o grupo, os países do BRICS concentram 44% das reservas mundiais de petróleo e 53% das reservas de gás natural. Atualmente, essas nações também são responsáveis por 43% da produção global de óleo e 35% da produção de gás.