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Brasil registra maior entrada de dólares no primeiro semestre desde 2018

A melhora do fluxo cambial foi favorecida pelo aumento das exportações, especialmente em razão da valorização do petróleo, além da intensificação da entrada de investimentos estrangeiros

Brasil registra maior entrada de dólares no primeiro semestre desde 2018

De acordo com informações publicadas pela Folha de São Paulo, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 17,78 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 91 bilhões, entre janeiro e junho deste ano.

 O Brasil registrou a maior entrada líquida de dólares para um primeiro semestre desde 2018, segundo dados divulgados pelo Banco Central. De acordo com informações publicadas pela Folha de São Paulo, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 17,78 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 91 bilhões, entre janeiro e junho deste ano.

O resultado representa uma mudança significativa em relação ao mesmo período de 2025, quando o país registrou uma saída líquida de US$ 14,34 bilhões, a maior da série histórica do Banco Central em termos nominais. O desempenho atual também é o melhor desde 2018, quando o saldo positivo alcançou US$ 22,52 bilhões.

A melhora do fluxo cambial foi favorecida pelo aumento das exportações, especialmente em razão da valorização do petróleo, além da intensificação da entrada de investimentos estrangeiros. O cenário internacional também colaborou para esse movimento. Com a expectativa de redução dos juros nos Estados Unidos e as incertezas relacionadas ao governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, investidores ampliaram a busca por ativos em mercados emergentes, como o brasileiro.

O ingresso de recursos ajudou a fortalecer a moeda brasileira ao longo do ano. Até o momento, o dólar acumula queda de aproximadamente 6% frente ao real, sendo negociado em torno de R$ 5,12. No mercado acionário, o Ibovespa também apresentou desempenho positivo, avançando 5,9% e alcançando cerca de 172 mil pontos.

Apesar do cenário favorável no primeiro semestre, analistas avaliam que o ambiente poderá se tornar mais desafiador nos próximos meses. A expectativa é de que tanto os juros americanos quanto a taxa Selic no Brasil permaneçam em patamares mais elevados do que o inicialmente projetado, reduzindo parte da atratividade dos mercados emergentes.

Além disso, fatores geopolíticos e domésticos tendem a influenciar o comportamento dos investidores. Entre eles estão a continuidade das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, e a aproximação das eleições presidenciais brasileiras.

Os primeiros sinais dessa mudança já apareceram em junho. Em relatório, o Itaú BBA afirmou que “O segmento financeiro manteve saídas líquidas relevantes, corroborando a perda de tração do financiamento externo observada desde a intensificação das tensões no Oriente Médio”.

Diante desse cenário, o banco revisou suas projeções para o câmbio, elevando a estimativa do dólar para R$ 5,30 em 2026, ante previsão anterior de R$ 5,15, e para R$ 5,50 em 2027, acima dos R$ 5,35 projetados anteriormente.

Segundo os economistas da instituição, “A revisão deriva principalmente de uma significativa mudança no cenário global: dados sobre a atividade e o mercado de trabalho nos EUA vieram mais fortes do que o esperado, enquanto a inflação continua resiliente”.