
A investigação aponta que Thiago Miranda teria participado da obtenção irregular de informações sigilosas de jornalistas e empresários que mantinham conflitos ou disputas comerciais com Vorcaro.
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria encomendado dossiês sobre André Esteves que reuniam dados pessoais, financeiros e empresariais do chairman do BTG Pactual, em meio às disputas envolvendo a tentativa de venda da instituição financeira. Os levantamentos teriam sido produzidos pelo publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do portal Leo Dias, segundo documentos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo.
A investigação aponta que Thiago Miranda teria participado da obtenção irregular de informações sigilosas de jornalistas e empresários que mantinham conflitos ou disputas comerciais com Vorcaro. Entre os alvos também estaria Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco e presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Segundo a PF, Miranda repassava as demandas a um especialista em segurança digital de sua confiança. Esse profissional teria acessado sistemas restritos para obter dados que não estavam disponíveis em consultas públicas. A operação buscou identificar outras pessoas que poderiam ter auxiliado o publicitário no cumprimento das tarefas.
Outro arquivo mapeava vínculos diretos e indiretos de Esteves com empresas. Nesse caso, a apuração teria sido baseada principalmente em fontes abertas e registros empresariais. Pessoas que acompanharam o trabalho afirmaram que o conteúdo foi encaminhado diretamente ao celular de Daniel Vorcaro.
André Esteves também não se manifestou sobre as revelações.
A produção dos dossiês ocorreu durante um período de tensão entre Vorcaro e Esteves. Os dois banqueiros tiveram embates durante as tratativas para a venda do Banco Master, que enfrentava dificuldades financeiras e buscava uma solução para recompor suas contas.
Conversas entre Vorcaro e sua ex-namorada, a influenciadora Martha Graeff, indicam que o dono do Master enxergava o chairman do BTG como um adversário nos negócios. Em abril de 2025, Vorcaro relatou que Esteves havia feito uma proposta para comprar o banco e tentado convencê-lo a abandonar a negociação com o BRB.
“André disse que era o maior banqueiro do mundo. E ele era Deus que apareceu na nossa vida. Que tinhamos que agradecer a Deus a proposta dele. E esquecer o BRB”, escreveu Vorcaro à influenciadora.
O banqueiro classificou o encontro como “inusitado” e afirmou que estava acompanhado de Augusto Lima, seu antigo sócio e também investigado pela Polícia Federal. Segundo Vorcaro, a conversa com Esteves teria ocorrido por recomendação do Banco Central. “Fui la porque Banco Central pediu, porque ele é ardiloso”, afirmou.
A aquisição do Banco Master pelo BTG Pactual não foi concretizada. Ainda assim, Vorcaro vendeu ao banco comandado por Esteves cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos pessoais.
Posteriormente, o controlador do Master tentou reforçar a situação financeira da instituição por meio da venda de R$ 12,2 bilhões em ativos ao BRB. A transação passou a ser investigada pela Polícia Federal diante de suspeitas de possíveis crimes financeiros relacionados à operação.
As apurações envolvendo o Banco Master agora também buscam esclarecer a estrutura usada para produzir dossiês, obter informações restritas e monitorar jornalistas, executivos do mercado financeiro e outros personagens considerados adversários de Vorcaro.





