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Brasil avança para uma nova etapa do projeto de seu futuro submarino com propulsão nuclear

O futuro submarino deverá desempenhar papel na proteção do mar territorial brasileiro. Ao mesmo tempo, as tecnologias desenvolvidas pelo Programa Nuclear da Marinha poderão ter aplicações em outras áreas da sociedade, incluindo geração de energia, medicina e agricultura.

Brasil avança para uma nova etapa do projeto de seu futuro submarino com propulsão nuclear

O Brasil avança para uma nova etapa do projeto de seu futuro submarino com propulsão nuclear.

O Brasil avança para uma nova etapa do projeto de seu futuro submarino com propulsão nuclear. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou nesta quarta-feira (19) o Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó, no interior de São Paulo, onde acompanhou o desenvolvimento do Programa Nuclear da Marinha (PNM) e os preparativos para a montagem do reator destinado à embarcação.

A visita permitiu à comitiva presidencial conhecer tecnologias desenvolvidas ao longo de décadas de investimentos técnicos, científicos e de formação profissional orientados pela Estratégia Nacional de Defesa. O domínio dessas capacidades é considerado estratégico para a indústria, o desenvolvimento científico e a soberania nacional, além de gerar tecnologias com aplicações pacíficas da energia nuclear.

O futuro submarino deverá desempenhar papel na proteção do mar territorial brasileiro. Ao mesmo tempo, as tecnologias desenvolvidas pelo Programa Nuclear da Marinha poderão ter aplicações em outras áreas da sociedade, incluindo geração de energia, medicina e agricultura.

Acompanharam Lula o ministro da Defesa, José Múcio; o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Marcos Antonio Amaro; o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen; e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos.

Por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a tecnologia relacionada ao submarino recebe apoio em iniciativas como o projeto Atomic, dedicado a análises de transientes e acidentes operacionais nucleares por meio de modelagem computacional integrada.

Outra frente está no programa Finep Mais Inovação, inserido na Nova Indústria Brasil (NIB). Os investimentos incluem o desenvolvimento do processo produtivo para obtenção do gás hexafluoreto de urânio (UF6), utilizado para alimentar as ultracentrífugas responsáveis pela etapa de enriquecimento do urânio.

Durante a agenda, Lula também visitou o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), um dos pilares do Programa Nuclear da Marinha ao lado do domínio do ciclo do combustível nuclear.

O LABGENE funciona em terra como um protótipo em escala real da planta de propulsão que será instalada no futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA). A estrutura permite testar e simular, sob condições controladas de segurança, o funcionamento do reator e dos sistemas eletromecânicos integrados antes da instalação definitiva a bordo.

O projeto também possui caráter dual. Além de contribuir para a capacidade brasileira de proteção de suas águas territoriais, o domínio da tecnologia do reator poderá permitir o desenvolvimento futuro de pequenas centrais nucleares destinadas à geração de eletricidade, além de aplicações em setores como medicina e agricultura.

O complexo industrial de Aramar abriga instalações consideradas fundamentais para o domínio do ciclo integrado do combustível nuclear e para a autonomia científica e tecnológica brasileira.

Uma delas é o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), dedicado ao desenvolvimento da tecnologia nacional de separação isotópica por ultracentrifugação. Trata-se da única instalação brasileira autorizada a enriquecer urânio nos níveis exigidos para o Reator Multipropósito Brasileiro.

Outra instalação é a Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA), responsável pela purificação e conversão química do concentrado de urânio, conhecido como yellow cake, em hexafluoreto de urânio. A conclusão da estrutura em escala industrial busca reduzir a dependência brasileira de importações nessa etapa do ciclo do combustível.

O Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT), também instalado no complexo, trabalha no desenvolvimento e na caracterização de combustíveis cerâmicos em formato de pastilhas de dióxido de urânio.

As atividades incluem ainda cerâmicas avançadas, como alumina e carbeto de boro, além de ligas absorvedoras de nêutrons compostas por prata, índio e cádmio. Esses materiais são componentes necessários ao reator do LABGENE e ao futuro submarino.

Aramar também mantém estruturas destinadas à segurança radiológica e à formação de profissionais civis e militares responsáveis pela operação das instalações.

O Centro de Instrução e Adestramento Nuclear de Aramar (CIANA) prepara recursos humanos para a operação segura de plantas nucleares, incluindo as equipes técnicas do LABGENE. As instalações atuais funcionam desde 2012 e integram o processo de formação até os exames de qualificação da ANSN.

Já o Laboratório Radioecológico (LARE) é responsável pela segurança radiológica dos trabalhadores do complexo e pelo acompanhamento das áreas de entorno por meio do Programa de Monitoração Ambiental (PMA) de Aramar.

O laboratório possui certificação de qualidade baseada nos critérios da norma ISO 17025 e mantém cooperação técnica com a Agência Internacional de Energia Atômica.