
“Nós vamos elaborar um relatório, daqui a provavelmente 60 dias, discriminando, detalhando quais são os aspectos mais relevantes da participação, da medida que foi imposta e quais os efeitos que ela possa reproduzir”, explicou Marcio Elias.
O governo brasileiro trabalha com a expectativa de amenizar, até o fim do ano, os impactos das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos aos produtos do país. A avaliação foi feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias, que classificou a medida estadunidense como “ilegal”, “indevida” e “abusiva”.
“Acho que não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade mas a minha expectativa é que a gente consiga negociar e resolver ou pelo menos aplacar minimamente as questões com os Estados Unidos antes do final do ano”, declarou o ministro.
A estratégia defendida por Elias combina a manutenção do diálogo com os Estados Unidos e a preparação de instrumentos de defesa comercial. Na avaliação do ministro, o Brasil deve continuar buscando uma saída negociada para a disputa, sem abrir mão de reagir às barreiras impostas aos produtos nacionais.
O ministro indicou que o mecanismo de reciprocidade não deverá chegar ao fim antes de dezembro. Como parte do procedimento, os ministérios receberam prazo de 60 dias para reunir informações destinadas a subsidiar a resposta brasileira.
“Nós vamos elaborar um relatório, daqui a provavelmente 60 dias, discriminando, detalhando quais são os aspectos mais relevantes da participação, da medida que foi imposta e quais os efeitos que ela possa reproduzir”, explicou Marcio Elias.
O levantamento deverá detalhar os principais aspectos das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos e os efeitos que podem produzir sobre o Brasil. A análise servirá de base para a definição das possíveis iniciativas brasileiras no âmbito da reciprocidade.
Mesmo diante desse calendário, a expectativa manifestada pelo ministro é de que as negociações diplomáticas e comerciais permitam reduzir os efeitos das tarifas antes que o processo interno seja encerrado.
Em meados de julho, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida veio acompanhada de uma extensa relação de mercadorias isentas da cobrança.
Ao justificar a iniciativa, o governo dos Estados Unidos afirmou que o Brasil mantém práticas que “oneram ou restringem” o comércio estadunidense. Entre os temas citados estão o sistema brasileiro de pagamentos Pix, o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.
No fim de julho, Washington anunciou ainda outra sobretaxa envolvendo 60 países, entre eles o Brasil, com alíquotas entre 10% e 12,5%.
Segundo a justificativa apresentada pelos Estados Unidos, essa segunda medida decorreu de uma investigação destinada a atingir países considerados responsáveis por práticas comerciais desleais por não proibirem ou fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.





