
Lançada em 2025, a iniciativa previa inicialmente um orçamento estimado em R$ 5 bilhões.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) trabalha para ampliar o apoio financeiro aos projetos voltados à transformação de minerais estratégicos no Brasil, após a chamada pública realizada em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) reunir propostas que totalizam R$ 45,8 bilhões em investimentos. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.
Lançada em 2025, a iniciativa previa inicialmente um orçamento estimado em R$ 5 bilhões. No entanto, os 56 projetos pré-selecionados apresentaram um volume de investimentos cerca de nove vezes superior ao valor inicialmente projetado. Diante desse cenário, o banco de fomento passou a tratar a seleção como um amplo mapeamento dos investimentos planejados para o setor de minerais críticos no país.
“Vamos tentar construir o máximo possível de solução financeira para um conjunto de projetos, é uma prioridade para o Brasil”, afirmou.
Gordon destacou ainda que o banco busca estimular iniciativas capazes de agregar valor à cadeia produtiva dentro do território nacional.
“Queremos projetos que vão agregar valor aqui no Brasil. É claro que, no setor de mineração, tem a parte inicial de lavra, sabemos disso, temos que apoiar também, mas queremos projetos que tenham capacidade de investimento aqui no Brasil”, declarou.
Entre as prioridades do BNDES está o fortalecimento das chamadas junior companies, mineradoras de pequeno e médio porte especializadas em pesquisa mineral. Essas empresas desempenham papel importante na fase inicial de prospecção e descoberta de depósitos minerais, frequentemente transferindo posteriormente os direitos de exploração para companhias maiores.
Para apoiar esse segmento, o banco estruturou um fundo em parceria com a Vale, que deverá iniciar seus primeiros aportes nos próximos meses. Os projetos selecionados na chamada pública poderão acessar tanto linhas de crédito tradicionais quanto recursos provenientes desse fundo.
“Esse fundo com a Vale vai começar agora a fazer os primeiros investimentos. Os projetos selecionados na chamada que sejam de junior companies fazendo pesquisa mineral podem receber tanto crédito quanto também podem ser investidos pelo fundo”, explicou Gordon.
Além da parceria com a Vale, o BNDES assinou nesta semana um protocolo de intenções com a Petrobras para desenvolver uma iniciativa semelhante. Ainda está em discussão se a estatal participará do fundo já existente ou se será criada uma nova estrutura de investimentos voltada ao setor mineral.
Outra fonte potencial de recursos para os projetos pré-selecionados é o programa Brasil Soberano, lançado pelo governo federal com recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE). A iniciativa foi criada inicialmente para reduzir impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras e posteriormente passou a contemplar também setores afetados pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
O interesse internacional pelos minerais críticos brasileiros também vem crescendo. Um dos empreendimentos contemplados nesse movimento é o projeto Colossus, da empresa Viridis, voltado à produção de terras-raras em Poços de Caldas (MG).
O empreendimento está entre os quatro projetos brasileiros classificados como prioritários pela União Europeia, que busca aprofundar a cooperação com o Brasil na área de minerais estratégicos. Recentemente, o comissário europeu de Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, visitou a unidade mineira para acompanhar o desenvolvimento da iniciativa.
Apesar do potencial de crescimento do setor, o acesso ao crédito ainda enfrenta obstáculos. De acordo com Gordon, um dos principais entraves está na dificuldade das junior companies em apresentar garantias suficientes para operações de grande porte.
Para contornar esse problema, o BNDES mantém negociações com instituições financeiras privadas em busca de mecanismos de fiança que ampliem a capacidade de financiamento dessas empresas.
Outra alternativa em estudo é a adaptação do modelo de project finance para projetos minerais. Nesse formato, amplamente utilizado em obras de infraestrutura, o próprio empreendimento e suas receitas futuras servem como garantia da operação financeira.
Segundo o diretor do banco, essa solução pode ser especialmente adequada para projetos estratégicos que contem com contratos futuros de fornecimento ou compra da produção.
Além disso, Gordon considera que a criação de um fundo garantidor, prevista no projeto de lei do marco regulatório dos minerais críticos atualmente em tramitação no Congresso Nacional, poderá representar um avanço importante para destravar investimentos. A proposta prevê a participação do Tesouro Nacional e de empresas privadas na composição desse mecanismo de garantias, ampliando as condições de financiamento para o setor.





