
De acordo com informações publicadas pela Folha de São Paulo, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 17,78 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 91 bilhões, entre janeiro e junho deste ano.
O Brasil registrou a maior entrada líquida de dólares para um primeiro semestre desde 2018, segundo dados divulgados pelo Banco Central. De acordo com informações publicadas pela Folha de São Paulo, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 17,78 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 91 bilhões, entre janeiro e junho deste ano.
A melhora do fluxo cambial foi favorecida pelo aumento das exportações, especialmente em razão da valorização do petróleo, além da intensificação da entrada de investimentos estrangeiros. O cenário internacional também colaborou para esse movimento. Com a expectativa de redução dos juros nos Estados Unidos e as incertezas relacionadas ao governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, investidores ampliaram a busca por ativos em mercados emergentes, como o brasileiro.
O ingresso de recursos ajudou a fortalecer a moeda brasileira ao longo do ano. Até o momento, o dólar acumula queda de aproximadamente 6% frente ao real, sendo negociado em torno de R$ 5,12. No mercado acionário, o Ibovespa também apresentou desempenho positivo, avançando 5,9% e alcançando cerca de 172 mil pontos.
Apesar do cenário favorável no primeiro semestre, analistas avaliam que o ambiente poderá se tornar mais desafiador nos próximos meses. A expectativa é de que tanto os juros americanos quanto a taxa Selic no Brasil permaneçam em patamares mais elevados do que o inicialmente projetado, reduzindo parte da atratividade dos mercados emergentes.
Além disso, fatores geopolíticos e domésticos tendem a influenciar o comportamento dos investidores. Entre eles estão a continuidade das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, e a aproximação das eleições presidenciais brasileiras.
Os primeiros sinais dessa mudança já apareceram em junho. Em relatório, o Itaú BBA afirmou que “O segmento financeiro manteve saídas líquidas relevantes, corroborando a perda de tração do financiamento externo observada desde a intensificação das tensões no Oriente Médio”.
Diante desse cenário, o banco revisou suas projeções para o câmbio, elevando a estimativa do dólar para R$ 5,30 em 2026, ante previsão anterior de R$ 5,15, e para R$ 5,50 em 2027, acima dos R$ 5,35 projetados anteriormente.
Segundo os economistas da instituição, “A revisão deriva principalmente de uma significativa mudança no cenário global: dados sobre a atividade e o mercado de trabalho nos EUA vieram mais fortes do que o esperado, enquanto a inflação continua resiliente”.





