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Governo Trump critica Brasil por expulsão de suposto espião russo

O Departamento de Estado dos Estados Unidos criticou a medida brasileira e afirmou que o caso pode estabelecer um precedente sensível em matéria de segurança internacional. Cherkasov está preso no Brasil desde 2022 e cumpre pena de 15 anos, após...

Governo Trump critica Brasil por expulsão de suposto espião russo

Os Estados Unidos afirmam estar “profundamente preocupados” com a possibilidade de o suposto espião russo deixar o território brasileiro e retornar ao país natal

 A decisão do Brasil de expulsar Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado pela Polícia Federal e pelo FBI como agente de inteligência da Rússia, provocou reação do governo Donald Trump e abriu uma nova frente de tensão diplomática entre Brasília e Washington. Os Estados Unidos afirmam estar “profundamente preocupados” com a possibilidade de o suposto espião russo deixar o território brasileiro e retornar ao país natal, informa o jornal O Globo.

Em nota, o Departamento de Estado afirmou: “os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a decisão do Brasil de permitir que um indivíduo com ligações conhecidas com a inteligência russa deixe o país”.

A manifestação do governo Trump também sustenta que a decisão brasileira enfraquece esforços conjuntos contra interferências estrangeiras: “mina nosso compromisso compartilhado de combater a interferência estrangeira e proteger a integridade de nossas instituições democráticas”.

A expulsão de Cherkasov foi formalizada por meio de portaria do Ministério da Justiça. De acordo com a decisão, ele deverá deixar o Brasil após o cumprimento da pena de 15 anos ou em caso de eventual liberação pelo Judiciário. A mesma medida estabelece que o russo ficará proibido de entrar em território brasileiro por 30 anos, contados a partir da execução da expulsão.

O caso ganhou dimensão internacional porque Cherkasov é investigado pelo FBI sob suspeita de ter coletado informações sobre os Estados Unidos e repassado dados ao Kremlin. Para Washington, permitir que ele retorne à Rússia poderia dificultar a responsabilização do agente e ampliar riscos relacionados à inteligência russa.

Cherkasov vivia no Brasil usando a identidade de Victor Müller Ferreira, apresentada como a de um brasileiro nascido no Rio de Janeiro e com passagem pela Argentina. Ele foi detido em abril de 2022, ao chegar a Amsterdã, na Holanda, onde iniciaria um trabalho. Após ser deportado ao Brasil, as autoridades brasileiras identificaram que ele não era quem dizia ser.

As movimentações financeiras também chamaram a atenção das autoridades. Em depoimento ao FBI, Cherkasov afirmou que pagou um curso na Irlanda com “lucro auferido com a compra e venda de bitcoins”. Ele também disse que, sem visto de trabalho, utilizou economias pessoais para cursar uma pós-graduação nos Estados Unidos, cujo custo teria ficado entre US$ 80 mil e US$ 100 mil.

Ainda conforme a apuração, enquanto estava fora do Brasil, o russo recebeu depósitos em espécie em uma agência bancária no Rio de Janeiro, comprou automóveis e movimentou “altos valores” em corretoras de criptomoedas. Esses elementos reforçaram as suspeitas sobre a atuação clandestina atribuída a ele.

O caso coloca o Brasil em posição delicada entre Rússia e Estados Unidos. Moscou tem interesse no retorno de Cherkasov ao território russo, enquanto Washington defende que ele não seja enviado ao país natal diante das acusações de espionagem envolvendo informações sobre os EUA.

Nos últimos anos, o caso passou por trâmites no Supremo Tribunal Federal (STF) e no governo federal. Com o novo despacho do Ministério da Justiça, a defesa de Cherkasov deve voltar a pedir à Corte que ele seja enviado à Rússia. Caso esse seja o desfecho, a decisão poderá ampliar o desgaste entre Brasil e Estados Unidos em um tema de alta sensibilidade diplomática e de segurança internacional.