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Deputado trumpista que processa Moraes tentou mudar lei do estupro nos EUA

A proposta excluía vítima vulneráveis do acesso ao direito e foi detonada por opositores, que apontavam que o texto deixava de fora casos nos quais não houve força física, como estupros contra mulheres drogadas, inconscientes ou com incapacidade mental.

Deputado trumpista que processa Moraes tentou mudar lei do estupro nos EUA

Smith pediu que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos adote procedimentos para monitorar e coibir ações do ministro Alexandre de Moraes,

O deputado republicano Chris Smith, de Nova Jersey, que tem articulado sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, já tentou minimizar o crime de estupro nos Estados Unidos para dificultar o acesso ao aborto legal.

Em 2011, o parlamentar apresentou o projeto H.R.3, chamado de Lei de Não Financiamento do Aborto com Dinheiro do Contribuinte. A proposta buscava alterar regras sobre o uso de recursos públicos em abortos legais.

Na versão inicial, o texto substituía a referência ampla a estupro pela expressão “estupro forçado” nas exceções previstas em leis federais. Organizações de direitos das mulheres, democratas e críticos da medida afirmaram que a mudança reduziria o acesso ao aborto legal para vítimas de violência sexual.

A proposta excluía vítima vulneráveis do acesso ao direito e foi detonada por opositores, que apontavam que o texto deixava de fora casos nos quais não houve força física, como estupros contra mulheres drogadas, inconscientes ou com incapacidade mental. A restrição também poderia atingir vítimas menores de idade em casos de estupro de vulnerável.

Alexandre de Moraes. Foto: Alejandro Zambrana/STF

Smith pediu nesta terça (15) que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), adote procedimentos para monitorar e coibir ações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A carta de Smith chegou à CIDH no mesmo dia em que Moraes enfrentou questionamentos de ministros do STF em uma sessão que não decidiu se ele será investigado por uma possível relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

A mobilização contra Moraes integra uma ofensiva em Washington que levou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o comentarista político Paulo Figueiredo à capital americana. O ex-parlamentar afirmou que está “pronto para relatar em DC” detalhes da crise envolvendo o ministro.

A iniciativa pode abrir caminho para uma retomada de sanções da Lei Global Magnitsky contra Moraes pelo Departamento de Estado dos EUA, comandado por Marco Rubio.