
Na avaliação do presidente, “pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria”. “Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, acrescentou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (2) a atuação da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos. A declaração ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentar um documento de 86 páginas no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no qual sustenta que a adoção imediata de tarifas fortaleceria politicamente o governo Lula.
Na sequência, o chefe do Executivo afirmou que a política externa brasileira continuará sendo conduzida com base na igualdade entre as nações. “Nós sempre vamos dialogar de igual para igual com qualquer nação do mundo”, escreveu.
Na avaliação do presidente, “pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria”. “Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, acrescentou.
Mercosul e Pix
Na postagem, o presidente também criticou propostas de enfraquecimento do Mercosul e afirmou que “defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina e que acaba de firmar um acordo histórico com a União Europeia, é outro ataque ao interesse do povo brasileiro”.
Ao tratar do Pix, que integra a investigação comercial conduzida pelo USTR, Lula afirmou que há uma tentativa de transferir o sistema de pagamentos para interesses estrangeiros. “Como se não bastasse, querem entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil, e não vamos abrir mão dele”, escreveu.
Encerrando a manifestação, o presidente reafirmou sua defesa da soberania nacional ao declarar: “Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros.”
O documento apresentado por Flávio Bolsonaro ao USTR afirma que a aplicação das tarifas daria ao governo Lula uma “vitória política”, além de provocar prejuízos econômicos tanto para os Estados Unidos quanto para os brasileiros que defendem uma relação mais próxima entre os dois países.
Como alternativa ao tarifaço, o senador propõe que Washington suspenda temporariamente a medida e abra negociações sobre os seis temas investigados pelo USTR: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix; tarifas preferenciais; combate à corrupção; propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Flávio também pretende participar de uma audiência pública em Washington na próxima segunda-feira (6), quando fará uma defesa oral de sua proposta antes da decisão final do governo dos Estados Unidos sobre a eventual adoção das tarifas, prevista para 15 de julho.





