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Operação da PF prende secretária sancionada pelos EUA por elo com PCC

Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. e da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., sediada em Portugal. As duas empresas também foram incluídas na lista de sanções anunciada pelo governo norte-americano em 1º de julho...

Operação da PF prende secretária sancionada pelos EUA por elo com PCC

PF prendeu nesta sexta-feira (3) Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelo governo dos Estados Unidos como secretária do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (3) Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelo governo dos Estados Unidos como secretária do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também alvo de sanções norte-americanas por suspeita de ligação com uma rede internacional de lavagem de dinheiro atribuída ao PCC. Ao todo, sete pessoas foram presas na operação, segundo o G1.

Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. e da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., sediada em Portugal. As duas empresas também foram incluídas na lista de sanções anunciada pelo governo norte-americano em 1º de julho de 2026.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Shimada seria um “elo-chave” entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Flórida e traficantes internacionais. As autoridades norte-americanas afirmam que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões, cerca de R$ 156 milhões, em recursos ilícitos gerados em cidades dos Estados Unidos, com uso de criptomoedas para enviar valores de volta ao Brasil em nome da facção.

Relatório da Polícia Civil de São Paulo citado na investigação aponta que Victor Shimada aparece em uma cadeia financeira envolvendo a Victory Trading, a Wave Intermediações e a UJ Football Talent. A UJ foi mencionada na delação premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach como empresa supostamente ligada a Danilo Lima de Oliveira, conhecido como “Tripa”, apontado pelo delator como integrante do PCC.

A investigação, no entanto, não afirma que Shimada seja integrante da facção. O relatório sustenta que o empresário estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em apurações sobre o crime organizado.

Além das suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro, Victor Shimada responde a outros quatro processos, sem ligação direta com organização criminosa. As ações envolvem acusações de ameaça, violência doméstica e familiar, injúria e lesão corporal dolosa.

A defesa disse ainda que analisará o caso depois de obter acesso integral aos documentos. “A situação será analisada com a cautela e a profundidade que o caso exige, após o efetivo acesso aos documentos que embasaram a medida e em conjunto com os profissionais que atuarão perante as autoridades competentes. Por ora, qualquer conclusão seria precipitada. A defesa reafirma sua absoluta confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos pelos meios legais adequados”, acrescentou o advogado.

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa na operação da PF, foi descrita pelas autoridades norte-americanas como parente de Shimada e sua secretária. Segundo os Estados Unidos, ela atuaria como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro e prestaria apoio logístico às supostas operações de lavagem da rede. Conforme as informações fornecidas, ela não tem antecedentes criminais nem responde a processos.

A apuração também se conecta à investigação do caso VaideBet, que envolve movimentações financeiras relacionadas ao Corinthians. De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, a Victory Trading teria mantido intensa movimentação financeira com a Wave Intermediações e Tecnologias Ltda., apontada pelos investigadores como uma das empresas usadas para movimentar valores sob suspeita.

Segundo a denúncia, Shimada teria atuado como operador financeiro de uma empresa usada, ao menos em parte, para ocultar e dissimular a origem dos recursos. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro.

Em janeiro de 2025, Shimada chegou a ficar brevemente em prisão domiciliar no Brasil em um processo relacionado ao BV, antigo Banco Votorantim. Em nota, o banco informou que identificou movimentações irregulares em agosto de 2024 no âmbito de seus serviços de Banking as a Service (BaaS) e comunicou o caso às autoridades.

“O banco adotou imediatamente as medidas cabíveis, comunicando os fatos às autoridades competentes e colaborando ativamente com as investigações que culminaram com a condenação de um dos sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos conforme lista divulgada hoje. Vale destacar que, na colaboração com as autoridades competentes, o BV atuou como assistente de acusação na ação penal”, afirmou a instituição.

O caso ocorre em meio ao endurecimento da política dos Estados Unidos contra facções brasileiras. Em junho, o Departamento de Estado classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que amplia a possibilidade de sanções contra cidadãos e empresas apontados como vinculados a esses grupos.

No comunicado sobre as sanções, o subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou que o governo Trump está enfrentando a “crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro dos EUA”.