
A aliança no Ceará foi justamente o estopim da crise pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama defendia a candidatura de Priscila Costa ao Senado e rejeitava a abertura de espaço para o PSDB.
Ciro Gomes não participará do evento de Flávio Bolsonaro em Fortaleza, marcado para a noite desta sexta-feira (10), em meio à tentativa de restringir ao Ceará a aliança entre PSDB e PL. Oficialmente, a assessoria do pré-candidato tucano ao governo estadual afirma que ele está fora do estado e que a cerimônia é um ato interno do partido de Flávio.
Nos bastidores, porém, interlocutores afirmam que a ausência reforça uma estratégia compartilhada pelas duas campanhas: impedir que o acordo regional seja interpretado como uma associação nacional entre Ciro e o bolsonarismo.
A composição prevê o apoio do PL à candidatura de Ciro ao governo do Ceará. Em troca, os tucanos respaldam Alcides Fernandes, pai do deputado André Fernandes, como candidato bolsonarista ao Senado.
Mesmo aliados no estado, os dois grupos tentam manter agendas separadas. A avaliação é que uma fotografia de Ciro ao lado de Flávio Bolsonaro provocaria mais prejuízos do que benefícios, especialmente entre eleitores que rejeitam o clã.
Ciro tenta ampliar seu eleitorado para além da direita e evitar uma identificação direta com o bolsonarismo. A tentativa de manter distância, porém, foi atravessada pelo próprio público do PL: durante o discurso de Rogério Marinho no evento desta sexta-feira (10), participantes gritaram o nome do tucano enquanto o senador falava sobre a atuação do crime organizado no Ceará.





