
A categoria suspendeu a paralisação, mas manteve o estado de greve enquanto acompanha o envio da proposta à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e o cumprimento dos compromissos assumidos.
Os trabalhadores das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade decidiram retomar as atividades após o governo de São Paulo prometer um projeto de lei para preservar os empregos dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A categoria suspendeu a paralisação, mas manteve o estado de greve enquanto acompanha o envio da proposta à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e o cumprimento dos compromissos assumidos. As informações foram publicadas nesta quarta-feira (5) pelo jornal O Globo.
O governo paulista informou que enviaria o projeto ao Legislativo estadual ainda nesta quarta-feira, desde que o sindicato assumisse o compromisso de normalizar o atendimento no horário de pico.
Representantes do governo e dos ferroviários discutiram a proposta em uma audiência de conciliação no TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região). Durante a reunião, a administração estadual apresentou os termos iniciais do projeto destinado aos empregados que atuam nos ramais concedidos à iniciativa privada.
Após a audiência, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil convocou uma assembleia para avaliar a proposta. A categoria aprovou o encerramento da greve por 131 votos a favor e 26 contra.
Apesar da retomada dos serviços, os ferroviários decidiram manter a mobilização ativa. O sindicato afirmou que acompanhará a tramitação do projeto, a formalização do acordo e as próximas etapas das negociações.
“A deliberação ocorre após o Governo do Estado apresentar uma proposta que contempla avanços nas reivindicações da categoria, especialmente em relação às garantias buscadas pelos ferroviários durante o processo de concessão. Apesar da suspensão do movimento paredista, a categoria permanecerá em estado de greve, acompanhando atentamente o cumprimento dos compromissos assumidos e a evolução das negociações”, informou o sindicato, em nota.
Caso os ferroviários mantivessem a paralisação, a Justiça do Trabalho exigiria que o sindicato garantisse 90% do funcionamento dos trens nos horários de pico e 70% nos demais períodos.
O TRT-2 também estabeleceu uma multa de R$ 5 milhões para o sindicato em caso de descumprimento das determinações. A decisão buscava reduzir o impacto da greve sobre os passageiros que dependem diariamente dos ramais ferroviários.
O tribunal marcou uma nova audiência para o dia 19. Nessa reunião, governo, sindicato e representantes da companhia deverão formalizar o acordo coletivo e registrar as garantias discutidas durante a conciliação.
A greve começou à meia-noite de terça-feira e afetou diretamente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Juntas, elas movimentam aproximadamente 1 milhão de usuários por dia.
A Linha 11-Coral conecta a região central de São Paulo a municípios do Alto Tietê. A Linha 12-Safira atende bairros da zona leste e cidades da região metropolitana, enquanto a Linha 13-Jade oferece acesso ferroviário à região do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A interrupção aumentou a pressão sobre outros meios de transporte e obrigou o governo estadual a reforçar a estrutura de emergência. Passageiros enfrentaram alterações nos trajetos, maior demanda nas linhas do Metrô e dependência de ônibus mobilizados pelo plano de contingência.
As três linhas afetadas pela paralisação integram o lote ferroviário que o governo paulista concedeu à Trivia Trens. A concessionária enfrentou falhas graves apenas 72 horas depois de assumir a operação.
No dia 23 de julho, passageiros registraram um vagão em chamas na Linha 12-Safira, nas proximidades do Tatuapé. A ocorrência interrompeu a circulação e levou usuários a desembarcar das composições e caminhar pelos trilhos.
As informações disponíveis apontaram uma possível relação entre o incêndio e um curto-circuito. O episódio afetou as três linhas e provocou transtornos em diferentes pontos da rede ferroviária e metroviária.
Os problemas aumentaram a insegurança dos funcionários da CPTM, que voltaram a operar os ramais em caráter emergencial sem uma definição inicial sobre a situação dos empregos após o período de 90 dias.
O governo de São Paulo acionou um plano de contingência para reduzir os efeitos da paralisação. Desde terça-feira, as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata do Metrô começaram a operar às 4h.
Em dias normais, essas linhas iniciam o atendimento às 4h40. O Metrô também colocou mais trens em circulação para absorver parte dos passageiros que não conseguiram usar os ramais ferroviários.
O estado ainda acionou a Operação Paese, que utiliza ônibus para atender trechos afetados por problemas no transporte sobre trilhos. Os veículos realizaram percursos alternativos entre estações e regiões atendidas pelas linhas paralisadas.
Com o encerramento da greve, os ferroviários retornam ao trabalho, mas mantêm a cobrança por garantias formais. A categoria acompanhará o envio do projeto à Alesp e participará da nova audiência no TRT-2, marcada para o dia 19.





