
As medidas podem atingir indivíduos, empresas ou instituições cujos integrantes sejam associados pelas investigações às facções, inclusive organizações com atuação política.
O governo dos Estados Unidos pode anunciar nas próximas semanas uma nova rodada de sanções contra pessoas, empresas e instituições no Brasil apontadas por autoridades estadunidenses como ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). As investigações para identificar os potenciais alvos foram intensificadas nos últimos meses, segundo a Folha de S.Paulo.
Investigadores do Departamento do Tesouro, o Departamento de Justiça e o FBI estão rastreando a origem e o destino de recursos do PCC e do CV que passam pelo território dos Estados Unidos e, depois, cruzando essas informações com residentes no Brasil e suas conexões locais. As medidas podem atingir indivíduos, empresas ou instituições cujos integrantes sejam associados pelas investigações às facções, inclusive organizações com atuação política.
A primeira rodada sob a nova estratégia ocorreu em 1º de julho. Na ocasião, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Tesouro, sancionou dois brasileiros, três empresas de São Paulo e uma companhia portuguesa por suposta participação em uma rede de lavagem de dinheiro do PCC. O governo estadunidense afirmou que o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos nos Estados Unidos.

A ofensiva ganhou instrumentos adicionais depois que Washington incluiu PCC e Comando Vermelho em listas vinculadas ao terrorismo e a sanções financeiras. A classificação permite congelar ativos sob jurisdição estadunidense e restringir transações de pessoas e empresas consideradas vinculadas às organizações.
A possibilidade de novos alvos aumenta a preocupação dentro do governo brasileiro com efeitos secundários das medidas sobre bancos e empresas. Em julho, integrantes da gestão Lula já alertavam que sanções unilaterais poderiam atingir terceiros e defendiam que informações obtidas nos Estados Unidos fossem compartilhadas com as autoridades brasileiras. Na ocasião, Dario Durigan afirmou que a segurança pública deve ser conduzida pelas instituições brasileiras e alertou para o risco de empresas legais serem atingidas por sanções dos EUA.





