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Moraes vota para absolver general Estevam Theophilo, réu na trama golpista do 8 de janeiro

Em sua denúncia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Theophilo se utilizou de sua alta posição para apoiar as supostas ações golpistas.

Moraes vota para absolver general Estevam Theophilo, réu na trama golpista do 8 de janeiro

Para o ministro, há dúvidas sobre a participação do militar na trama. O general é acusado de incentivar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a assinar um decreto de ruptura institucional.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira (18) pela absolvição do general Estevam Theophilo, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército e do Comando Militar da Amazônia (CMA). É o primeiro réu que Moraes vota para ser absolvido no processo do suposto golpe.

Para o ministro, há dúvidas sobre a participação do militar na trama. O general é acusado de incentivar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a assinar um decreto de ruptura institucional.

“Sabemos que, existindo dúvida razoável quanto à culpabilidade do réu, aqui, nesse momento, in dubio pro réu. Quanto ao réu, o meu voto é no sentido de absolvição por ausência de provas. Não por ausência de autoria, por inexistência de materialidade, e sim por ausência de provas”, disse Moraes.

Em sua denúncia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Theophilo se utilizou de sua alta posição para apoiar as supostas ações golpistas.

Até o momento, o general é o único absolvido por Moraes, que votou pela condenação de nove réus do núcleo 3.

O núcleo 3 é formado por nove militares — entre os quais os chamados “kids pretos”, integrantes das Forças Especiais do Exército — além de um agente da PF (Polícia Federal). O grupo teria planejado o assassinato de autoridades, como o presidente Lula (PT), o vice, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro Alexandre de Moraes.

Durante julgamento nesta terça, Moraes — que é relator do caso na Corte — pediu a condenação de outros sete réus pelos cinco crimes que constam na denúncia:

– Organização criminosa armada;
– Golpe de Estado;
– Tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito;
– Dano qualificado ao patrimônio da União;
– Deterioração do patrimônio público.

No voto de quase três horas, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que as provas mostram que a maioria dos réus do núcleo 3 atuaram na criação de narrativas falsas sobre fraude nas eleições, especialmente entre o primeiro e o segundo turno, como estratégia para desacreditar o resultado das urnas e preparar ambiente favorável à ruptura institucional.

Moraes destacou que mensagens obtidas durante as investigações revelam discussões sobre uso de tropas, pressões sobre o alto comando do Exército e ações de monitoramento de autoridades a partir de 21 de novembro de 2022. Esse conjunto de atos, afirmou, demonstra unidade de propósitos entre os réus e conexão direta com o núcleo 1 da trama golpista, liderado por Jair Bolsonaro.

Para o ministro, ficou evidenciado que o grupo buscava cooptar militares, organizar uma intervenção armada e planejar a formação de um gabinete de crise após a consumação do golpe.